Mensagem do Presidente
As alterações climáticas e a degradação dos ecossistemas estão a evoluir a um ritmo que ultrapassa os cenários mais pessimistas. O ano de 2024 foi o mais quente desde que há registos — e poderá ter sido o mais fresco do resto das nossas vidas. Nove em cada dez pessoas respiram ar com níveis nocivos de poluição atmosférica, sendo a poluição, atualmente, o principal fator de risco para a saúde pública a nível global. Estes fatores ambientais, somados à perda de biodiversidade e à sobrepopulação, são já responsáveis por mais de um quarto da mortalidade mundial.
As alterações climáticas resultam do aumento progressivo das emissões de gases com efeito de estufa. No entanto, o setor da saúde também contribui para estas emissões, representando, em Portugal, cerca de 4,8%. Apesar disso, a redução do seu impacto ambiental ainda não é uma prioridade política.
A sensibilização do público e a formação dos profissionais de saúde continuam a ser insuficientes. Também a resiliência do sistema de saúde para responder a uma nova pandemia ou a catástrofes climáticas — cujo risco está a aumentar — constitui motivo de preocupação.
Nós, profissionais com responsabilidades, a vários níveis, na saúde das populações, temos a obrigação ética de nos envolver neste desafio global. Estas mudanças não dizem apenas respeito a ambientalistas ou a jovens ativistas — dizem respeito a todos nós e ao futuro das gerações vindouras: os nossos filhos e netos. Além disso, detemos um capital de confiança junto da comunidade que não pode ser desperdiçado.
Foi esta consciência que nos levou a fundar o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), em outubro de 2022. O nosso objetivo foi criar uma rede colaborativa de organizações ligadas ao setor da saúde, capaz de contribuir para a redução do impacto das alterações ambientais na saúde das populações, diminuir a pegada ecológica do setor, promover a sensibilização pública e a formação dos profissionais de saúde, estimular a investigação e fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde face ao aumento do risco de catástrofes climáticas.
O CPSA conta atualmente com mais de 100 das principais organizações do setor da saúde, sendo hoje a aliança mais transversal na área, com uma abrangência inédita a nível internacional.
O 1.º Congresso Nacional de Saúde e Ambiente, que reuniu mais de 1.000 participantes de 50 profissões diferentes, demonstrou que já existe um número expressivo de pessoas ligadas ao setor da saúde motivadas, com vontade de aprender, de partilhar experiências e de construir uma rede de cooperação, que seja simultaneamente uma rede de energia e de esperança. Foi esse entusiasmo que nos impulsionou a avançar para a segunda edição do congresso, já em 2026.
O tema deste congresso — “Juntos por um Planeta Saudável e Sustentável” — reflete a nossa convicção de que, para enfrentar um problema tão complexo, são necessárias soluções integradas, baseadas na cooperação entre a diversidade de organizações que se relacionam com o sistema de saúde.
Como afirmou Robert Swan, o primeiro homem a alcançar o Pólo Norte e o Pólo Sul: “A maior ameaça à sobrevivência do planeta é a crença de que alguém o salvará.”
Luís Campos
Presidente do CPSA
