ePO 4 – 2. Recetividade à inovação na dieta mediterrânica: um estudo de cocriação com jovens adulto
Filipa R. Pinto1, Sónia Barroso2, Susana Mendes2, Beatriz do Carmo2, Patrícia Borges2, , María de Guía Córdoba Ramos3, Maria Manuel Gil4
1 MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente / ARNET – Aquatic Research Network, ESTM, Politécnico de Leiria, Peniche, PT, 2 MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente / ARNET – Aquatic Research Network, ESTM, Politécnico de Leiria, Peniche, Portugal, 3 Escuela de Ingenierías Agrarias – Instituto Universitario de Investigación en Recursos Agrarios (INURA), Universidad de Extremadura, 4 Colab +Atlantic, Museu das Comunicações, Rua do Instituto Industrial 16, 1200-225 Lisboa, Portugal
A Dieta Mediterrânica (DM) distingue-se pela utilização do azeite como principal fonte de gordura, pelo elevado consumo de alimentos de origem vegetal e por uma ingestão baixa a moderada de produtos de origem animal, privilegiando ingredientes frescos, sazonais e locais. Para além do padrão alimentar, integra práticas culturais e estilos de vida característicos dos países mediterrânicos, como a prática regular de atividade física, estando amplamente associada a benefícios para a saúde. Apesar de reconhecida como um dos modelos alimentares mais saudáveis, a adesão à DM tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos. Neste contexto, o objetivo principal deste estudo foi avaliar a viabilidade de desenvolver receitas atrativas, diferenciadoras e prontas a consumir, alinhadas com os princípios e a essência da DM, tendo como público-alvo jovens adultos de países mediterrânicos (Itália, Portugal, Espanha e Turquia). Para o efeito, foram realizadas 5 sessões de cocriação, cada uma composta por 12 participantes de ambos os sexos, com idades entre os 17 e os 25 anos, residentes nos 4 países incluídos no estudo. Os resultados demonstraram que o país de residência é o fator com maior influência (p-value < 0,05) na recetividade à exploração de receitas inovadoras alinhadas com os princípios da DM, sendo os participantes de Portugal e Itália os que revelaram maior resistência à inovação. Ainda assim, de forma global, os participantes reconheceram que a introdução de novos métodos de confeção poderá potenciar o valor nutricional da DM, contribuindo para a sua maior atratividade. A criação de receitas prontas a consumir foi igualmente identificada como uma oportunidade, embora com maior resistência entre os participantes portugueses. Conclui-se que, apesar de uma perceção globalmente semelhante entre os jovens adultos dos diferentes países, o país de origem emerge como o principal fator diferenciador dos comportamentos face à inovação alimentar associada à DM.
