CO 1 – Substâncias farmacêuticas associadas à microplásticos em água superficial lótica sob influência urbana
Hellen da Silva Sousa1, Lyndyanne Dias Martins2, Francisco Wedson Faustino3, Benaffe Santos Cardoso de Almeida1, Anderson Targino da Silva Ferreira4, Anderson Zanardi de Freitas4, Joamira Pereira de Araújo1, Yannice Tatiane da Costa Santos1, Niklaus Ursus Wetter4
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, 2 Universidade Federal do Pernambuco – UFPE, 3 Universidade Federal do Cariri – UFCA, 4 Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN
A contaminação por microplásticos (MPs) em ambientes aquáticos é um problema global, no qual os MPs actuam como vectores de contaminantes emergentes em diferentes matrizes ambientais. Em particular nos rios urbanos, esta associação amplia os riscos ecotoxicológicos, uma vez que influencia a mobilidade e a biodisponibilidade. O presente estudo investigou a coocorrência de fármacos e MPs na água superfícial do Geossítio da Cachoeira de Missão velha (CE), com amostragens realizadas a 30 cm da superfície da água nos meses de Fevereiro a Março de 2024. A quantificação e caracterização dos MPs seguiram procedimentos de evaporação, remoção da matéria orgânica, separação por desensidade e filtração, com posterior identificação polimérica por espectrometria Micro-Raman. A espectrometria identificou 10 analitos, revelando fármacos adsorvidos em polímeros como polietileno tereftalato (PET), polissulfona e filmes de poliéster. Os fármacos detectados incluem: 4-cloroquinazolina (intermediário sintético, tóxico para organismos aquáticos e irritante); 5-nitroisatina (derivado da isatina com propriedades antibacterianas e antifúngicas, tóxico para microrganismos e com potencial citotoxicidade); AG-494 (inibidor da tirosina quinase, com potencial para afectar o desenvolvimento aquático e causar toxicidade sistémica em humanos); 1,3,7-trimetilxantina (cafeína, alcaloide estimulante, indicador de contaminação antropogénica, que provoca stress oxidativo em organismos aquáticos e ansiedade/taquicardia em humanos); e 8-hidroxi-5-nitroquinolina (nitroxolina) (antibiótico/antitumoral, tóxico para bactérias e fungos ambientais, podendo desequilibrar microbiotas e gerar resistência bacteriana em humanos). Assim, a associação entre MPs e fármacos evidencia um cenário de risco ambiental complexo, tendo em conta os potenciais efeitos adversos para o meio ambiente e para a saúde humana, tornando urgente a monitorização contínua e a implementação de estratégias de mitigação eficazes.

