CO 4 – Potencial de reutilização de dispositivos cardíacos implantáveis
Joana Certo Pereira1, Francisco Moscoso Costa1, Pedro Adragão1, João Queiroz e Melo1
1 Hospital de Santa Cruz
Introdução: Os pacemakers e cardioversores-desfibrilhadores implantáveis (CDI) são dispositivos de elevado custo económico e ambiental. A sua produção envolve materiais críticos e gera resíduos eletrónicos relevantes. A reutilização segura de dispositivos explantados tem sido proposta como estratégia de sustentabilidade e de melhoria do acesso a terapêuticas avançadas. O nosso objetivo foi descrever o estado da bateria de pacemakers e CDIs explantados, avaliando o potencial de vida útil remanescente no momento do explante.
Descrição e resultados: Estudo observacional descritivo de uma base de dados local de dispositivos cardíacos eletrónicos implantáveis avaliados tecnicamente após explante. Foram incluídos apenas dispositivos com informação disponível sobre o estado da bateria. A longevidade estimada foi obtida por interrogatório técnico do dispositivo.
Entre julho e setembro de 2025, foram avaliados 9 dispositivos explantados após transplante cardíaco. A voltagem média no momento da análise foi de 2,52 ± 0,73 V. Seis dispositivos (67%) apresentavam longevidade máxima estimada, superior a 13 anos, no momento do explante, indicando elevada reserva de bateria. Três dispositivos (33%) encontravam-se em fim de vida.
Discussão e Conclusão: A maioria dos dispositivos explantados apresentava uma reserva substancial de bateria. Estes dados reforçam o potencial interesse de programas estruturados de recolha, avaliação e eventual reutilização de dispositivos, no contexto da sustentabilidade ambiental em saúde. A implementação de tais estratégias deverá, contudo, cumprir rigorosos critérios de segurança, rastreabilidade e enquadramento regulatório.
