CO 7 – Regional variations in chronic kidney disease burden and air pollution exposure in portugal – impa-r-pt study

10 Abril 15:40 – 15:50
Monitor 1
Tipo: Comunicação Oral
Tema: Poluição atmosférica, química, sonora e luminosa

Ivo Laranjinha1, Diogo Francisco2, Ana Cristina Martins1, Liliana Fonte3, Pedro Carreiro Martins4
1 Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, 2 Unidade Local de Saúde de São José, 3 Unidade de Saúde Familiar Magnólia, Unidade Local de Saúde Loures Odivelas, 4 CHRC, LA-REAL, NOVA Medical School, NMS, Universidade NOVA de Lisboa; ULS São José

Introdução: A Doença Renal Crónica (DRC) afeta mais de 10% da população, com variação geográfica. Para além dos fatores de risco tradicionais, a poluição do ar tem sido cada vez mais implicada. Este estudo investiga, pela primeira vez em Portugal, a distribuição geográfica da DRC e a sua associação com a exposição regional a poluentes (PE)

Métodos: Uma coorte retrospetiva de 10 anos incluiu indivíduos com idade ≥18 anos, residentes em Portugal e registados em Unidades de Cuidados de Saúde Primários. A PE média (PM2.5, PM10, NO2, SO2, O3) foi avaliada utilizando o sistema QUALAR da Agência Portuguesa do Ambiente. A DRC foi definida como eGFR <60 ml/min. Foram utilizadas regressões logística e de Cox, e calculadas a incidência/prevalência de DRC por região e nível de urbanização

Resultados: Foram incluídos 23.620 adultos (48,1% do sexo masculino, idade média de 70,1 anos, 32,1% diabéticos, 71,5% hipertensos, seguimento mediano de 6,7 anos). A prevalência de DRC foi de 33,8%; a incidência de 25,2/1.000 pessoas-ano (PY). A qualidade do ar foi boa/muito boa em mais de 90% dos dias

A prevalência de DRC foi mais elevada no Alentejo (40,57%) e mais baixa no Centro (29,30%) (p<0,001). Os residentes no Alentejo apresentaram maior exposição a PM10 (21,79 vs. 17,69), PM2.5 (11,40 vs. 7,31), SO2 (4,83 vs. 2,75), O3 (63,26 vs. 52,90 μg/m³) e menor rácio PM10/PM2.5 (1,97 vs. 2,52) (todos p<0,001)

O Alentejo apresentou a maior incidência de DRC (28,02/1.000 PY) e o Centro a menor (20,9/1.000 PY) (IRR 1,13 IC95% 1,01-1,26). Os residentes em áreas urbanas tiveram uma incidência de DRC 12% superior (IRR 1,12; 1,04-1,22) e maior exposição a PM10 (18,57 vs. 18,12), PM2.5 (10,86 vs. 8,00), NO2 (16,95 vs. 13,17) e menor rácio PM10/PM2.5 (1,92 vs. 2,45) (todos p<0,001)

A regressão de Cox mostrou que PM10, PM2.5, NO2 e O3 — mas não a residência urbana ou a região — estavam independentemente associados ao desenvolvimento de DRC, reforçando a relevância da PE face à localização

Conclusões: Este estudo apresenta a primeira evidência em Portugal da variação geográfica da DRC correlacionada com a exposição regional a poluentes. Concentrações mais elevadas de poluentes aumentaram de forma independente o risco de DRC, contribuindo para as disparidades geográficas

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