CO 8 – Ciguatera na região autónoma da Madeira: epidemiologia e perfil clínico

10 Abril 15:50 – 16:00
Monitor 1
Tipo: Comunicação Oral
Tema: One Health

Rita Câmara1, Neide Gouveia2, Viriato Timóteo3, Sofia Cosme Ferreira4, Pedro Reis Costa5
1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital Central do Funchal Dr. Nélio Mendonça, Funchal, Portugal, 2 Laboratório Regional de Veterinária e Segurança Alimentar, Caminho das Quebradas de Baixo nº 79, S. Martinho, 9000-254 Funchal, Portugal, 3 aboratório Regional de Veterinária e Segurança Alimentar, Caminho das Quebradas de Baixo nº 79, S. Martinho, 9000-254 Funchal, Portugal, 4 Serviço de Imunoalergologia, Hospital Central do Funchal Dr. Nélio Mendonça, Funchal, Portugal, 5 IPMA- Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Rua Alfredo Magalhães Ramalho 6, 1495-165 Lisboa, Portugal

A Ciguatera é uma síndrome de intoxicação alimentar provocada pela ingestão de peixe contendo ciguatoxinas. Estas toxinas lipofílicas são produzidas maioritariamente por microalgas bentónicas do género Gambierdiscus, embora outros géneros (como o Fukuyoa) também as possam produzir.

As toxinas acumulam-se e sofrem biotransformação ao longo da cadeia trófica marinha. Apesar de ser endémica de regiões tropicais ou subtropicais como as Caraíbas ou a Polinésia, a Ciguatera têm sido identificados no Arquipélago da Madeira, levando à abordagem conjunta entre a saúde e a gestão de recursos marinhos.

O presente estudo descreve padrões epidemiológicos e manifestações clínicas na região entre 2007 e 2024, com base em inquéritos realizados a indivíduos com suspeita de intoxicação.

Os casos datados de 2007 foram identificados através de uma análise retrospetiva de episódios com sintomatologia compatível, anteriores ao primeiro caso oficialmente reportado em 2008. No total, foram registados 55 casos, evidenciando que a intoxicação persiste mesmo com a interdição da pesca de espécies de alto risco.  Alterações cutâneas ou mucocutâneas, nomeadamente prurido intenso, foram reportadas em todos os casos. Os sintomas gastrointestinais e neurológicos, em particular diarreia, dor abdominal, parestesias das extremidades e alodinia ao frio, estiveram entre os mais frequentes. As manifestações cardiovasculares foram menos comuns. O início dos sintomas foi geralmente reportado nas primeiras 24 horas após a ingestão do alimento, persistindo, em alguns casos, até 6 meses.

Os resultados sublinham a necessidade de uma gestão integrada que envolva a monitorização ambiental, a indústria das pescas (incluindo o setor recreativo) e uma avaliação clínica sistemática, essencial ao diagnóstico diferencial de reações à ingestão de pescado. O reforço da vigilância epidemiológica e a melhoria da literacia em saúde são cruciais para a segurança alimentar e mitigação deste risco emergente no Atlântico.

Scroll to Top