ePO 10 – Da burocracia ao impacto global: inovação digital e liderança administrativa sustentável nos sistemas de saúde
Carla Sofia da Silva Gonçalves1, Pedro Silva1, Teresa Silva1
1 ULSEDV
A crise climática, a crescente pressão sobre os sistemas de saúde e a transformação digital exigem uma reconfiguração dos modelos organizacionais da Adm. Pública. Apesar da existência de estruturas institucionais dedicadas à sustentabilidade, como grupos ambientais internos, persiste uma lacuna relevante na operacionalização de práticas sustentáveis ao nível administrativo, em particular no contexto do assistente técnico. Neste enquadramento, os processos administrativos assumem um papel estratégico na redução da pegada ambiental institucional, na eficiência organizacional e na qualidade do serviço ao cidadão.
Foi realizada uma análise diagnóstica dos circuitos administrativos internos, identificando desperdícios documentais recorrentes, ausência de práticas sistematizadas de reciclagem de papel e limitada integração de soluções digitais. Com base neste diagnóstico, foi concebida uma proposta estruturada de intervenção organizacional orientada para a racionalização administrativa, integrando digitalização progressiva de processos, reorganização do arquivo eletrónico, redução do consumo de papel e implementação de ações de formação e sensibilização das equipas para práticas administrativas sustentáveis. Foram igualmente analisadas potencialidades futuras de aplicação de ferramentas digitais e de inteligência artificial no apoio à organização documental.
Prevê-se que a implementação deste modelo contribua para melhorias na eficiência operacional, redução do volume de impressões, aumento das taxas de reciclagem administrativa, otimização do consumo de recursos materiais e reforço da literacia ambiental dos profissionais envolvidos, com impacto positivo na organização interna e na experiência do utente. Conclui-se que o alinhamento entre estratégia institucional, capacitação dos recursos humanos e integração tecnológica posiciona o assistente técnico como agente estratégico de mudança na construção de organizações públicas resilientes e ambientalmente responsáveis.
