ePO 107 – Ecoturismo, deslocação e desenvolvimento: implicações para comunidades vulneráveis

10 Abril 16:15 – 16:35
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Proteção das Populações mais Vulneráveis

João Carlos Marques Simões1

 

1 Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais da Universidade Lusíada

O ecoturismo é frequentemente promovido como alternativa sustentável ao turismo de massa, mas em muitos casos funciona como mecanismo de expulsão, controlo territorial e continuidade de lógicas coloniais. A criação de áreas protegidas, parques naturais e reservas turísticas costuma ocorrer em territórios onde comunidades locais, viviam, cultivavam ou circulavam há gerações. A retórica da conservação e do “uso responsável” do território é usada para justificar a retirada dessas populações, a privatização de terras e a transferência de gestão para ONGs internacionais, governos centrais ou empresas turísticas.

O presente artigo segue uma lógica comparativa analisando casos distintos de promoção de ecoturismo, concretamente: áreas de conservação na Tanzânia e no Quénia, o parque nacional de Virunga, a reserva de Tigres de Sundarbans, os projetos de ecoturismo em Rajat Ampat, parques naturais nos Andes e, o turismo de observação de gorilas no Uganda e Ruanda.

Para efetivar a análise comparativa, seleciona-se os seguintes critérios de avaliação: grau de deslocamento; tipo de autoridade que controla o território; justificação usada na intervenção; envolvimento das comunidades locais; modelo de conservação; impactos ambientais; relação com heranças coloniais.

Estes casos foram selecionados por apresentarem uma combinação clara de três elementos fundamentais: (1) implantação de projetos de conservação de alta visibilidade internacional, (2) impacto direto sobre comunidades locais que dependem do território para subsistência, e (3) presença de discursos de sustentabilidade usados para justificar controlo e exclusão. O objetivo metodológico não é produzir uma avaliação exaustiva de cada parque, mas identificar padrões estruturais que revelam como a conservação e o ecoturismo funcionam, em vários contextos, como mecanismos contemporâneos de cercamento e continuidade colonial.

 

Palavras-chave: Ecoturismo; Exclusão; Sustentabilidade; Vulnerabilidade.

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