ePO 123 – Pegada carbónica e sustentabilidade na terapêutica inalatória: auditoria multidimensional numa unidade de saúde familiar

10 Abril 16:32 – 16:45
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Pegada ambiental do medicamento e dispositivos médicos

André F. Correia1

 

1 ULS Entre Douro e Vouga – USF Sudoeste

Introdução: Na Medicina Geral e Familiar, o dispositivo inalatório é um dos principais determinantes da pegada carbónica clínica. A transição para dispositivos de pó seco (DPI) ou névoa suave (SMI) pode ser relevante para uma prática clínica sustentável, desde que salvaguardada a eficácia clínica e a capacidade técnica inalatória do doente.

Métodos: Auditoria retrospetiva (10 meses) a 1680 embalagens prescritas por 7 médicos (Fonte: MIM@UF) de uma Unidade de Saúde Familiar. Os dispositivos foram classificados por tipo (DPI, pMDI, SMI), classe farmacológica e pegada carbónica (Baixa: <2kg CO2eq; Alta: até 20kg; Muito Alta: >20kg).

Resultados: Registou-se predomínio de DPI (73,9%), seguido de pressurizados – pMDI (21,0%) e SMI (5,1%). A pegada foi baixa em 78,9% das embalagens, sendo alta em 12,5% e muito alta em 8,4%. Por classes farmacológicas, mais de 85% foram associações: LABA/ICS (34,6%), LABA/LAMA (30,5%), Tripla (20,1%) e apenas 3,1% SABA/SAMA. No Top 5, Budesonida/Formoterol (DPI) e Fluticasona/Vilanterol (DPI) lideram, mas a tripla pMDI surge em 4.º lugar (8,7%), constituindo à data o principal foco de emissões (Muito Alta).

Discussão: A taxa de 21% de pMDI revela uma prática sensibilizada face a referências internacionais. Há potencial de redução de impacto futuro nas triplas com novos propelentes de baixo impacto (HFO-1234ze) já disponíveis no mercado, embora tal inovação permaneça ausente nas duplas LABA/LAMA pressurizadas. A subutilização de SMI reutilizáveis e DPI recarregáveis revela potencial para a economia circular. Como limitações, este estudo não abrange a prescrição hospitalar ou privada, de urgência ou agudização.

Conclusões: A elevada proporção de DPI reflete o sucesso da sensibilização ambiental aliada à correta adequação clínica na USF. A sustentabilidade futura dependerá da consolidação destas práticas, da transição tecnológica para novos propelentes e da promoção de sistemas reutilizáveis, garantindo sempre a eficácia terapêutica.

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