ePO 17 – Pegada ambiental dos hospitais públicos portugueses: indicadores, desenvolvimento e oportunidades de mitigação climática

9 Abril 10:30 – 11:00
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Redução da pegada carbónica do sistema de saúde

Beatriz Cardoso Ferreira Dias Jorge1
1CUF

Em Portugal, o setor da saúde contribui com cerca de 5,8% das emissões nacionais de GEE, sendo a maior parte indireta (Scope 2-3), o que exige estratégias nacionais consistentes de mitigação e sustentabilidade climática. O presente trabalho sintetiza indicadores, políticas e boas práticas orientadas para a redução da pegada ambiental nos cuidados hospitalares, incluindo iniciativas nacionais em organizações públicas e privadas. Analisa o sistema de reporte de indicadores e o desempenho das instituições públicas face a metas de 2019,bem como lacunas de indicadores internacionais.

Como principais resultados desta análise, observou-se uma redução da completude do reporte de consumos e custos de 86% em 2021 para 72% em 2024, acompanhada por menor participação de entidades. O cumprimento das metas é atualmente heterogéneo, com valores de taxa de cumprimento das metas em 2024 de 21% para eletricidade e 30% para água, cerca de 50% do reportado em 2021. Os resultados individuais das instituições mostram uma tendência de dispersão de desempenho ao longo dos anos e uma trajetória não linear em alguns casos, com alternância entre períodos de melhoria e de agravamento. Do ponto de vista do impacto ambiental agregado, o potencial de redução de consumos calculado em 2024 corresponde a uma poupança de eletricidade e água anual equivalentes ao consumo de 60mil habitantes e 170 piscinas olímpicas, respetivamente.

Apesar dos progressos, persistem diferenças significativas entre instituições, atualização irregular de indicadores e ausência de indicadores clínicos. Recomenda-se a criação de uma Estratégia Nacional de Mitigação Ambiental do Sistema de Saúde, que inclua aspectos como a normalização do reporte de consumos incluindo o sistema privado; implementação de um repositório nacional de identificação e avaliação de impacto de iniciativas; assegurar linhas de investimento ou orçamento específicas e promoção de projetos-piloto que facilitem a escala e a disseminação de boas práticas.

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