ePO 18 – Projeto Eco-OR: sustentabilidade perioperatória baseada em evidência e estratégias para mitigar o impacto ambiental dos gases no bloco operatório
Maribel Costa1, Andreia Oliveira1, Carla Reis1, Carla Encarnação1, Carmen Soares1, Isabel Melo1
1 ULSEDV- Hospital Santa Maria da Feira
Introdução – Os anestésicos inalatórios têm elevado potencial de aquecimento global e contribuem para 0,01–0,1 % das emissões da saúde. O desflurano impacta muito mais que o sevoflurano; recomenda‑se substituí‑lo por agentes com menor GWP. As unidades perioperatórias devem otimizar práticas sustentáveis, pois, apesar da pequena contribuição relativa, a elevada potência de aquecimento destes agentes justifica intervenções.
Métodos – Estudo retrospetivo (abril 2023–dezembro 2025) com 681 coletores CONTRAfluran™ em 16 486 anestesias. O volume retido (240 ml/coletor) foi convertido em CO₂e com base na composição predominante (99,5 % sevoflurano; 0,5 % desflurano) e nos valores de GWP (130 vs 2540). Para contextualizar, usaram‑se equivalências rodoviárias (6,5 km/ml sevoflurano; 320 km/ml desflurano).
Resultados – A captura total de 163 440 ml evitou cerca de 3,1 t de CO₂e (≈ 15 507 km). Se todo o consumo fosse desflurano, as 16 486 anestesias libertariam 1,06 t CO₂e (5,27 M km). Com sevoflurano, a emissão desce para 21 432 kg (107 159 km); com fluxo baixo para 10 716 kg (53 580 km). Misturar 50 % de cada agente gera 538 268 kg CO₂e (2,69 M km).
Discussão – O desflurano tem GWP e consumo elevados; substituí‑lo por sevoflurano reduz emissões em >95 %. Fluxos frescos baixos, eliminação de N₂O e anestesia endovenosa ou loco‑regional complementam a mitigação. A captura de gases exalados retém quase todo o anestésico residual; monitorizar estes indicadores ajuda a avaliar o sucesso.
Conclusão – Eliminar desflurano, adotar sevoflurano e outros agentes de baixo GWP, utilizar fluxos mínimos e implementar sistemas de captura são estratégias eficazes e necessárias para reduzir eficazmente a pegada de carbono em anestesia. Integrar indicadores ambientais em dashboards clínicos permitirá monitorizar e sustentar a transição. Estas medidas alinhadas com as metas nacionais de sustentabilidade têm o potencial de influenciar políticas de saúde.
