ePO 2 – Contributos da ciência geográfica cidadã para a monitorização territorial da alimentação sustentável
Patrícia Abrantes1, Eduarda Marques da Costa1, Eduardo Jonas Gomes1, Cláudia Morais Viana1
1 Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa
A promoção de dietas saudáveis e sustentáveis é um desafio central para a saúde pública e para a sustentabilidade dos sistemas alimentares, incluindo de produção e disponibilização de informação. Esta comunicação tem como objetivo apresentar o Sistema Espacial de Apoio à Decisão (SEAD) Care4Food, resultante do projeto Escolhas e perceções de segurança alimentar num contexto de alterações climáticas. Trata-se de um sistema baseado em ciência geográfica cidadã, que articula comportamentos e perceções individuais, e monitorização territorial em tempo real da sustentabilidade do consumo alimentar. O SEAD é suportado por Sistemas de Informação Geográfica e ciência geografica cidadã, através de um inquérito digital participativo e de um painel de monitorização (dashboard).
O SEAD Care4Food produz um score de alimentação sustentável baseado em quatro dimensões (equilíbrio proteico, consumo de fruta e hortícolas, consumo de alimentos ultra-processados e práticas de consumo sustentável) alinhadas com as orientações da FAO/OMS para Dietas Saudáveis e Sustentáveis, da Comissão EAT–Lancet, da Roda dos Alimentos Portuguesa e da Dieta Mediterrânica. A calibração do score, numa escala de 1 a 5 (nada sustentável/muito sustentável), baseou-se num inquérito a 1813 adultos em Portugal continental. Posteriormente, o score foi implementado no SEAD, com recolha voluntária de dados individuais, cálculo automático de pontuações, comunicação ao inquirido e posterior visualização espacial agregada ao concelho.
A pontuação individual média de alimentação sustentável é de 3,08/5, observando-se desigualdades territoriais entre concelhos urbanos e rurais. A pontuação de sustentabilidade alimentar auto-percecionada de 3,96/5 é superior à pontuação dos comportamentos, evidenciando um desfasamento entre perceção e prática.
Conclui-se que a ciência geográfica cidadã pode complementar a informação de macroescala, produzindo indicadores individuais e territoriais com utilidade para a tomada de decisão.

