ePO 20 – Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano. Impacto assistencial e ambiental do posto de colheitas descentralizado do serviço de patologia clínica
Hugo Felgueiras Mendonça1, Vitor Gomes1, Verbena Rosalino1, Rute Almeida1, Aurora Direito1, Judite Henriques1, Antoni Garcia1, Maria Gonçalves1
1 Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano
Introdução
O Concelho de Odemira apresenta elevada extensão territorial, população envelhecida e dispersa, condicionando o acesso a cuidados especializados. O posto de colheitas descentralizado do Serviço de Patologia Clínica no Centro de Saúde de Odemira constitui uma resposta estruturante no modelo de integração de cuidados da ULSLA, promovendo proximidade, equidade no acesso e eficiência organizacional. A descentralização das colheitas reduz deslocações ao hospital, com impacto ambiental associado à diminuição das emissões de CO2.
Descrição
Foram analisados os registos assistenciais de 2024 e 2025. Assumiu-se que cada colheita efetuada, proveniente de prescrição hospitalar, correspondeu a uma deslocação evitada ao hospital. Considerou-se uma distância total de 122 km por trajeto, em automóvel ligeiro com ocupação individual e consumo médio de 6,5 litros por 100 km. As emissões de CO2 foram estimadas segundo a metodologia da Agência Portuguesa do Ambiente, com fatores oficiais para gasóleo e gasolina.
Resultados
No período em análise realizaram-se 4619 colheitas. A distância total evitada foi de 563518km, correspondendo a 36629 litros de combustível. As emissões evitadas situaram-se entre 87945,4kg e 96626,4kg de CO2.
Este impacto equivale à capacidade anual de absorção de aproximadamente 3500 árvores adultas.
Discussão
A descentralização das colheitas demonstrou impacto ambiental positivo e redução da pegada carbónica associada à mobilidade em saúde. O modelo contribuiu para a redução de desigualdades no acesso e melhoria da resposta a populações dependentes. Para a instituição, observam-se ganhos de eficiência, integração entre níveis de cuidados e eficaz planeamento de recursos.
Conclusões
O posto de colheitas descentralizado constitui uma boa prática de integração de cuidados, com impacto assistencial, organizacional e ambiental mensurável, assegurando proximidade, equidade territorial e sustentabilidade do sistema de saúde.
