ePO 21 -Quão poluído é o ar que respiram as nossas crianças? Sub título: impactos do uso do automóvel na saúde das crianças e na mobilidade infantil

9 Abril 11:00 – 11:08
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Poluição atmosférica, química, sonora e luminosa

Ana Rita Morgado Prates1

 

1 ZERO

Atualmente, para muitas crianças que vivem em meio urbano, a ida para a escola é feita de automóvel, iniciando o dia sentadas e chegando à escola num ambiente marcado por tráfego intenso. Este padrão de mobilidade está associado a má qualidade do ar — sobretudo devido a emissões de óxidos de azoto (NOx) e partículas finas (PM2,5) — ruído e sedentarismo, com impactos relevantes na saúde física e mental das crianças, no seu bem-estar e no desenvolvimento cognitivo. Por fim, o trânsito em torno das escolas torna estes espaços hostis e inseguros, aumentando o risco de atropelamento e limitando a mobilidade infantil.

Estudos realizados em várias cidades europeias demonstram que as entradas das escolas apresentam níveis elevados de poluição atmosférica, nomeadamente de NO₂, devido ao tráfego rodoviário na hora de entrada. Em Lisboa, apesar da ausência de dados sistemáticos nas imediações das escolas, os valores registados pela Rede de Monitorização da Qualidade do Ar encontram-se acima das recomendações da Organização Mundial de Saúde e, em alguns casos, acima dos valores-limite legais. Em 2025, Lisboa surge ainda em penúltimo lugar num ranking europeu de mobilidade infantil, em coerência com o resultado do inquérito “Mãos ao Ar” (CML, 2023) indicando que 44% dos alunos se desloca para a escola de automóvel. Estes dados sugerem a existência de tráfego intenso no perimetro escolar.

Neste contexto, a ZERO conduziu, pela primeira vez, uma campanha de medição da qualidade do ar nas ruas envolventes de várias escolas de Lisboa, cujos resultados serão apresentados neste congresso. As medições, realizadas com sensores AIR V3 PRO (KUNAK) e tubos de difusão de NO₂, permitem avaliar a exposição real de crianças e adolescentes à poluição atmosférica. Por fim, será apresentada a solução das ruas escolares (school streets), já amplamente adotada noutros países europeus, com evidência de reduções significativas de NO₂, aumento da mobilidade ativa e melhoria da qualidade de vida urbana.

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