ePO 23 – Níveis elevados de ruído no Metropolitano de Lisboa e seu impacto nos passageiros
Manuel Matos1, Ana Maria Barreiros2, Joel Preto Paulo3
1 ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) e IT (Instituto de Telecomunicações), 2 ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa), 3 ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) e NOVA LINCS
O ruído ambiente em excesso contribui determinantemente para afetar a saúde humana. A exposição dos trabalhadores ao ruído tem legislação própria, está quantificada e deve ser controlada. Para muitas atividades, como escolas, hospitais, transportes, a exposição ao ruído não está enquadrada legalmente. Um exemplo concreto é o ruído a que os cidadãos são sujeitos nas viagens casatrabalhocasa e que não é usualmente contabilizado na dose diária de ruído. Temos como exemplo concreto as deslocações em Metropolitano na cidade de Lisboa em que se registaram níveis de emissão sonora elevados nesta infraestrutura de transporte. Este ruído é uma exposição efetiva a que os utentes estão expostos diariamente e que importa quantificar. Esta dose de ruído deverá ser adicionada ao ruído laboral a que os cidadãos estão sujeitos diariamente.
Foi realizada uma campanha de medições de ruído em todas as linhas do Metropolitano de Lisboa para avaliar a exposição ao ruído dos utentes transportados. As medições foram realizadas em contínuo e em diversos dias e horas. Tomando como exemplo uma medida realizada na Linha Azul do Metropolitano de Lisboa, constatou-se a existência de vários períodos com o ruído a aproximar-se dos 95 dB. Atinge-se mesmo um pico de 100 dB. Para cada viagem, os níveis médios de exposição são de 86 dB, com os valores mínimos nos 56 dB (Figura 1).
As medidas realizadas em todas as linhas de Metropolitano de Lisboa, e em toda a sua extensão, mostram que os cerca de 15 milhões de passageiros transportados por mês no Metropolitano de Lisboa, estão expostos a elevados níveis de ruído durante as viagens. Efetivamente a viagem de ida e volta no Metropolitano de Lisboa contribui com 10 a 25% da dose máxima de ruído diário recomendável por lei. O estudo evidencia que estes elevados níveis de ruído no Metropolitano de Lisboa deverão ser encarados na ótica da saúde pública e deverão ser procuradas estratégias de mitigação da exposição dos passageiros ao ruído.

