ePO 25 – Exposição da população portuguesa ao pesticida clorpirifos: resultados de um estudo de biomonitorização humana de âmbito nacional
Sónia Namorado1, Eva Diogo2, Baltazar Nunes3
1 Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, 2 Unidade de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde Região de Leiria, E.P.E., 3 Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade NOVA de Lisboa
O clorpirifos e o clorpirifos-metilo foram dos pesticidas organofosforados mais utilizados até à sua proibição pela União Europeia em 2020 devido a preocupações neurotoxicológicas e genotóxicas. Contudo, a ingestão de alimentos poderá permanecer uma via de exposição relevante devido à importação de produtos alimentares de países onde o seu uso ainda é permitido.
Este estudo visou caraterizar a exposição da população adulta portuguesa a estes pesticidas através da medição do metabolito urinário 3,5,6-tricloro-2-piridinol (TCPy) e avaliar associações com padrões de consumo alimentar.
No estudo transversal INSEF-ExpoQuim, foram recolhidas amostras de primeira urina da manhã e dados de questionário (maio 2019 – março 2020) de participantes do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF 2015), com idades entre os 28-39 anos. O TCPy urinário foi quantificado e ajustado à creatinina. Realizaram-se análises descritivas e de avaliação de risco químico, bem como o estudo de associações entre o consumo de determinados grupos alimentares e os níveis de TCPy.
A média aritmética de TCPy foi de 2,2 μg/g de creatinina. Níveis elevados foram associados ao sexo feminino, idades entre 31-35 anos, obesidade de grau I e menor escolaridade. Concentrações superiores foram também encontradas em indivíduos com contacto ocupacional com pesticidas, residentes em áreas rurais, proximidade a explorações agrícolas ou fábricas de pesticidas (últimas 24h), uso doméstico de pesticidas (últimas 48h) e fumadores. Foram encontradas associações estatisticamente significativas para o consumo de fruta e hortícolas: indivíduos com frequências de consumo elevadas apresentaram níveis de TCPy significativamente.
Estes resultados confirmam a exposição generalizada da população portuguesa ao clorpirifos antes da proibição da UE. Estes dados fornecem uma linha de base fundamental para futuros estudos de biomonitorização humana que avaliem a eficácia da proibição de 2020 e a evolução do risco da exposição.
