ePO 26 – Saúde digital e sustentabilidade ambiental no sistema de saúde: análise estratégica do seu potencial na redução da pegada ambiental

9 Abril 11:00 – 11:05
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: A IA como instrumento amigo do ambiente

Jéssica Costa1

A saúde digital é hoje um eixo estrutural da transformação e modernização do SNS, com contributo para a descarbonização, através da redução de deslocações evitáveis, do consumo de papel e de redundâncias clínicas. Contudo, introduz também impactos ambientais diretos e indiretos associados ao consumo energético, à operação de centros de dados e ao aumento da produção de resíduos eletrónicos.

Este trabalho analisa estrategicamente o ponto de situação e perspetivas da saúde digital em Portugal, recorrendo à revisão documental, análise de coerência política e discussão com peritos da área.

Os resultados demonstram um elevado grau de maturidade nacional, com pontuação eHealth de 86% em 2024, ampla adoção da desmaterialização e prescrição eletrónica próxima de 90%, bem como a expansão da telessaúde através do RSE Live. Como exemplo de impacto, destaca-se a TeleTOD via RSE Live, que realizou 8 555 teleconsultas em 2024, reduzindo deslocações, reforçando a eficiência e a adesão, com potencial de diminuição de emissões e custos operacionais.

A análise evidencia, contudo, fragilidades relevantes ao nível da medição, transparência e coerência institucional, nomeadamente a ausência de dados desagregados da pegada carbónica que permitam isolar a contribuição do digital, a fraca articulação entre indicadores de atividade digital e métricas ambientais, e a monitorização limitada dos impactos sociais.

Conclui-se que são condições críticas para converter ganhos digitais em benefícios ambientais verificáveis:

  • a criação de um quadro nacional de indicadores (atividade digital, substituição e eficiência, impacto ambiental, impacto económico-financeiro e impacto social);
  • a implementação de um sistema regular de reporte da pegada digital do SNS, com séries auditáveis sobre desmaterialização efetiva, teleconsulta substitutiva e estimativa de quilómetros evitados;
  • a incorporação de critérios de eficiência, circularidade e logística inversa na contratação pública de tecnologia.
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