ePO 38 – Febre hemorrágica da criméia-congo: paradigma one health

9 Abril 16:10 – 16:30
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: One Health

Inês Campos Freitas1, Ana Sofia Santos1, Rui Gaspar1, Patrícia Soares1, Isabel Lopes Carvalho1, Sofia Núncio1, Rita de Sousa1, Líbia Zé-Zé1

1 Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infecciosas (CEVDI), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)

Introdução

O vírus da febre hemorrágica Crimeia-Congo (CCHFV), pertence ao género Orthonairovirus é transmitido ao Homem sobretudo através de picada de carraças do género Hyalomma. A infeção também pode ocorrer por contato direto com sangue ou com órgãos, de pessoas ou animais infetados. A CCHF pode causar doença grave no homem, com taxas de letalidade elevadas. O primeiro caso fatal em Portugal foi reportado em 2024. A vigilância dos vetores, nomeadamente das carraças e a identificação de potenciais áreas geográficas onde o vírus circula, assim como a infeção nos seus hospedeiros torna-se crucial para a implementação de medidas de saúde pública quando necessário.

Métodos

O CCHFV é vigiado em carraças pela rede nacional de vigilância de vetores (REVIVE). Os técnicos de saúde ambiental efetuam a colheita de carraças em hospedeiros (homem, animais domésticos e selvagens e na vegetação), e as carraças são enviadas para o CEVDI/INSA para identificação à espécie e pesquisa de agentes infeciosos relevantes. As Hyalomma spp. que chegam em condições adequadas ao laboratório são processadas para extração de ácidos nucleicos e o a presença do RNA do vírus CCHFV é pesquisado molecularmente (RT-PCR).

Resultados

Em 2024, foram analisadas no âmbito do REVIVE 162 carraças do género Hyalomma (59 H. lusitanicum, 89 H. marginatum e 14 Hyalomma sp.). Todos os espécimes analisados foram negativos para a presença de CCHFV.

Discussão

Apesar da vigilância, o ciclo zoonótico do CCHFV continua a ser mal compreendido. O número reduzido de estudos, e as lacunas de conhecimento existentes enfatizam a importância da adoção de uma abordagem One Health para estimar o risco de CCHF em Portugal.

Conclusão

Além de estudos transdisciplinares, é essencial perceber o impacto das alterações climáticas nos ecossistemas e no ciclo zoonótico do CCHFV, bem como fomentar a literacia em saúde, de modo a que os cidadãos adotem medidas de proteção individual adequadas contra a picada de vetores.

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