ePO 42 – Deteção de pinatoxinas em bivalves na costa portuguesa: riscos emergentes para a segurança alimentar e saúde pública

9 Abril 16:12 – 16:35
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: One Health

Pedro Olim1, David M. Pereira1, Pedro Reis Costa2

 

1 REQUIMTE/LAQV, Laboratório de Farmacognosia, Departamento de Química, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto, R. Jorge Viterbo Ferreira 228, 4050-313 Porto, Portugal, 2 IPMA—Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Av. Alfredo Magalhães Ramalho 6, 1495-165 Lisboa, Portugal

As pinatoxinas são biotoxinas marinhas produzidas naturalmente pelo dinoflagelado Vulcanodinium rugosum, uma espécie de microalga unicelular. Estas neurotoxinas são iminas cíclicas (ICs), atuam como antagonistas dos recetores nicotínicos e muscarínicos da acetilcolina, e são conhecidas como “toxinas de ação rápida”. A ocorrência abundante de microalgas produtoras de pinatoxinas pode levar à contaminação dos moluscos bivalves, que por sua vez poderão causar intoxicação quando consumidos por humanos. As pinatoxinas foram já detetadas em bivalves em vários locais na Europa desde 2009, mais recentemente na Galiza em 2020. Não existem limites regulamentares para estas toxinas e a sua presença em bivalves para consumo humano não é monitorizada. De modo a avaliar a situação portuguesa, amostras de bivalves colhidas de junho a dezembro de 2024 em zonas estuarino-lagunares foram sujeitas a análise por cromatografia líquida e espectrometria de massa (LC-MS/MS).

Amostras de mexilhão (Mytilus spp.) recolhidas na Lagoa de Albufeira, Setúbal, revelaram uma presença persistente de pinatoxinas, atingindo um máximo de 14.1 µg/kg em julho. Embora abaixo do limite proposto em 2019 pela agência francesa para a segurança alimentar (ANSES) de 23 µg/kg, os resultados apontam para uma contaminação frequente por ICs na costa portuguesa e evidenciam a presença de Vulcanodinium rugosum em Portugal, o que ainda não está reportado. Blooms, ou proliferações de microalgas produtoras de toxinas, são fenómenos cada vez mais frequentes e com maior distribuição geográfica. O aquecimento das águas juntamente com o excesso de nutrientes proveniente de efluentes agrícolas favorecem a eutrofização dos ambientes marinhos, sendo os ambientes estuarinos mais vulneráveis. Embora não estejam descritos casos de intoxicação por ICs, o seu potencial toxicológico e a ausência de vigilância ambiental levantam preocupações quanto a um possível risco para a saúde pública, que carece de investigação mais aprofundada.

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