ePO 43 – Metodologia para o estudo de reações a ingestão de pescado

9 Abril 16:10 – 16:35
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: One Health

Rita Câmara1, Neide Gouveia2, Sofia Cosme Ferreira1, Pedro Reis Costa3

 

1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital Central do Funchal Dr. Nélio Mendonça, Funchal, Portugal, 2 Laboratório Regional de Veterinária e Segurança Alimentar, Caminho das Quebradas de Baixo nº 79, S. Martinho, 9000-254 Funchal, Portugal, 3 IPMA- Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Rua Alfredo Magalhães Ramalho 6, 1495-165 Lisboa, Portugal

As alergias alimentares são cada vez mais prevalentes e resultam da interação da predisposião genética com condições ambientais. A sua prevalência tem aumentado, condicionada por hábitos alimentares específicos, alterações climáticas e da qualidade do alimento. A sistematização de uma metodologia para o seu diagnóstico é necessária, assim como o aumento da literacia em saúde (decisores, profissionais e doentes), que permita um diagóstico etiológico adequado em tempo útil.

Foram avaliados dados epidemiológicos das reações ao pescado, entre 2020 e 2024, nomeadamente: tipo pescado, local captura, método de conservação e confeção, e a clínica do evento. Foram realizados testes cutâneos por picada e picada-picada com os alimentos suspeitos, doseamento de IgE total e IgE específicas (proteinas dos peixes e anisakis). Nos casos com estudo in vivo/in vitro negativo, foi realizada prova de provocação oral (gold-standard). Não foi possível a determinação de histamina sérica, histamina no pescado ou o isolamento do parasita. Os diagnósticos de escombroidose e intoxicação por ciguatoxina são de exclusão.

Dos 470 indivíduos referenciados por suspeita de alergia alimentar ao pescado, em 256 foi confirmado o diagnóstico (marisco n=187, peixe n=65 e anisakis n=4). À escombroidose e à intoxicação por ciguatera foram atribuidas em 10 e 2 doentes, repetivamente. A maioria dos doentes pertencia ao género feminino (n=184, 71,9%), com média de idade de 41 anos [2;75]. Um quarto da população pertencia à idade pediátrica (n=65, 25,4%). Nos doentes com alergia ao peixe, destaca-se a sensibilização ao atum (n=29, 44,6%), seguida do bacalhau (n=18, 27,7%) e da cavala (n=15, 23,1%).

Os novos hábitos alimentares associados ao aquecimento global e a dificuldade de gestão destes recursos estão associados ao aumento das reacções à ingestão do pescado. A sistematização do seu estudo é indespensável para uma abordagem clínica e implementação de medidas preventivas equilibradas.

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