ePO 48 – Potencial de valorização de dispositivos médicos contaminados utilizados em hemodiálise
Luzia Goreti da Silva Fernandes1, Maria Cristina Guimarães Guerreiro Chaves1
1 Faculdade de Economia do Porto
Introdução
A hemodiálise apresenta elevada pegada ambiental, devido ao consumo intensivo de água e energia e à produção significativa de resíduos hospitalares contaminados, maioritariamente plásticos, que após descontaminação são habitualmente encaminhados para aterro.
Objetivo
Avaliar o potencial de valorização dos resíduos plásticos contaminados produzidos em hemodiálise em Portugal, estimando a fração reciclável, a sua evolução futura e a poupança económica associada à reciclagem.
Metodologia
Estudo observacional, retrospetivo e quantitativo. A fração reciclável foi determinada por pesagem direta de dispositivos médicos de uso sistemático em hemodiálise (dialisador, linhas de sangue e seringa da bomba de heparina). Os dados foram integrados com informação nacional sobre o número de tratamentos (2014–2024), com projeção até 2030 por regressão linear. Estimou-se o custo evitado associado à Taxa de Gestão de Resíduos (TGR).
Resultados
Aproximadamente 50% dos resíduos contaminados por tratamento correspondem a plásticos com potencial de reciclagem, com um peso médio de 0,454 kg por sessão. Em 2024, esta fração representou cerca de 880 toneladas a nível nacional, com projeção para 940 toneladas em 2030. A reciclagem permitiria evitar custos de deposição em aterro estimados em 26 000 € (2024) e 44 000 € (2030).
Conclusão
A reciclagem de dispositivos médicos contaminados utilizados em hemodiálise é tecnicamente viável, ambientalmente vantajosa e economicamente relevante, constituindo uma oportunidade concreta para reduzir a pressão sobre os aterros e promover a economia circular em saúde.
Palavras-chave: Hemodiálise; Resíduos hospitalares; Sustentabilidade; Reciclagem; Economia circular.

