ePO 48 – Potencial de valorização de dispositivos médicos contaminados utilizados em hemodiálise

9 Abril 16:40 – 16:50
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Gestão dos resíduos

Luzia Goreti da Silva Fernandes1, Maria Cristina Guimarães Guerreiro Chaves1

 

1 Faculdade de Economia do Porto

Introdução

A hemodiálise apresenta elevada pegada ambiental, devido ao consumo intensivo de água e energia e à produção significativa de resíduos hospitalares contaminados, maioritariamente plásticos, que após descontaminação são habitualmente encaminhados para aterro.

Objetivo

Avaliar o potencial de valorização dos resíduos plásticos contaminados produzidos em hemodiálise em Portugal, estimando a fração reciclável, a sua evolução futura e a poupança económica associada à reciclagem.

Metodologia

Estudo observacional, retrospetivo e quantitativo. A fração reciclável foi determinada por pesagem direta de dispositivos médicos de uso sistemático em hemodiálise (dialisador, linhas de sangue e seringa da bomba de heparina). Os dados foram integrados com informação nacional sobre o número de tratamentos (2014–2024), com projeção até 2030 por regressão linear. Estimou-se o custo evitado associado à Taxa de Gestão de Resíduos (TGR).

Resultados

Aproximadamente 50% dos resíduos contaminados por tratamento correspondem a plásticos com potencial de reciclagem, com um peso médio de 0,454 kg por sessão. Em 2024, esta fração representou cerca de 880 toneladas a nível nacional, com projeção para 940 toneladas em 2030. A reciclagem permitiria evitar custos de deposição em aterro estimados em 26 000 € (2024) e 44 000 € (2030).

Conclusão

A reciclagem de dispositivos médicos contaminados utilizados em hemodiálise é tecnicamente viável, ambientalmente vantajosa e economicamente relevante, constituindo uma oportunidade concreta para reduzir a pressão sobre os aterros e promover a economia circular em saúde.

Palavras-chave: Hemodiálise; Resíduos hospitalares; Sustentabilidade; Reciclagem; Economia circular.

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