ePO 53 – Literacia em saúde ambiental e perceção de risco da água de consumo humano no Alentejo Central: protocolo de estudo
Raquel Vareda1, Maria Ana Santos1, Pedro Manuel Bento1, Cátia Gusmão1, Cheila Feio1, Márcia Marques1, Ana Silva Marques1, Maria Natalina Mota1, Tânia Capitão1, Carlos Domingues1, Luís Filipe Pato1, Miguel Carvalhais1
1 Departamento de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central
INTRODUÇÃO: Apesar da excelente qualidade da água da rede pública em Portugal, o país mantém um elevado consumo per capita de água engarrafada. Desconhecem-se os determinantes comportamentais e o nível de Literacia em Saúde Ambiental (LSA) que justifiquem este fenómeno. Este estudo visa avaliar a perceção de risco e a LSA relativa à água de consumo humano na população residente na área de abrangência da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC).
MÉTODOS: Estudo observacional, transversal, implementação em 2026. Amostra incluirá 400 adultos residentes em 14 concelhos, com estratificação por quotas geográficas proporcionais à população. A estratégia de recrutamento será mista para mitigar vieses de seleção: presencial (unidades dos Cuidados de Saúde Primários) e digital/comunitária (parceria com Autarquias). O instrumento de recolha de dados é um questionário estruturado (Microsoft Forms) que avalia: 1) Fonte de água predominante (beber/cozinhar); 2) Motivos de evicção da rede pública; 3) Perceção de segurança (escala Likert); 4) Score de LSA (índice de 0-7 sobre regulação, tratamento e custos). A análise estatística incluirá regressão logística para identificar preditores independentes do consumo de água engarrafada.
RESULTADOS: Sendo um protocolo, prevê-se estimar a prevalência de consumo de água engarrafada e identificar lacunas de conhecimento técnico (ex: mitos sobre cloro/calcário) e económico. Espera-se validar uma correlação negativa entre a LSA e a perceção de risco, definindo perfis sociodemográficos vulneráveis à desinformação.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES: Caracterizar a perceção de risco é crucial para definir estratégias de comunicação e capacitar profissionais de saúde. A promoção da água da rede constitui uma intervenção “One Health”, beneficiando simultaneamente a saúde humana, a sustentabilidade ambiental (redução de plástico) e a economia familiar
