ePO 54 – Preocupações e perceções sobre o risco dos químicos: resultados de um estudo-piloto
Dora Rolo1, Maria João Silva2, Sónia Namorado1
1 Dep. Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, 2 Dep. Genética Humana, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
A exposição a químicos potencialmente perigosos para a saúde constitui uma preocupação crescente em saúde pública. Apesar dos avanços regulamentares a nível europeu, em Portugal persistem lacunas na perceção do risco associado à exposição a químicos presentes no ambiente, alimentos e produtos de consumo, e dos seus potenciais efeitos na saúde. Este estudo visou obter informação sobre as perceções, preocupações e atitudes face à exposição a químicos.
É um estudo observacional, descritivo e transversal, baseado na aplicação de um questionário anónimo, aplicado em papel e online a indivíduos com idade ≥ 13 anos participantes da Noite Europeia dos Investigadores 2025 em Lisboa. Recolheram-se dados sobre características sociodemográficas, preocupações ambientais, perceção das vias de exposição e atitudes perante a regulamentação existente.
Participaram 97 indivíduos, 50,5% do sexo masculino, 40,2% entre 25–44 anos e 80,4% com formação superior. As principais preocupações sobre os riscos dos químicos incidem sobre a perda de biodiversidade (76,3%), presença de microplásticos nos oceanos (75,3%) e ondas de calor (71,1%). Os contaminantes na água (47,4%) surgem como área de maior preocupação a nível de exposição, seguidos das emissões industriais (42,3%) e dos químicos em produtos de consumo (37,1%). Embora 83,5% dos inquiridos verifiquem ingredientes em alimentos, 81,4% sentem-se apenas parcialmente informados sobre o risco. Cerca de metade (49,5%) desconhece a adequação da regulamentação europeia, e observa-se baixa prática de ações individuais de proteção ambiental.
Os resultados evidenciam elevada perceção sobre a exposição a químicos e alta sensibilidade ambiental, mas a literacia sobre medidas de proteção e mitigação dos riscos necessita ser melhorada – mesmo nesta amostra maioritariamente com formação superior. A identificação destes padrões poderá apoiar o desenvolvimento de estratégias nacionais de comunicação e educação em saúde pública e ambiental mais eficazes.
