ePO 62 – Alterações climáticas e infeções emergentes e reemergentes: impacto na dádiva de sangue em portugal

10 Abril 10:30 – 10:45
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Impacto Alterações Ambientais na Saúde Humana

Célia Ferreira1, Laura Serrano2, Cristina Silva Pereira1

1 ULS Coimbra, 2 ESEnfC

Introdução: As alterações climáticas contribuem para o aparecimento de infeções emergentes (IE) e reemergentes (IR) transmissíveis por transfusão sanguínea, ao favorecerem a expansão de vetores (como mosquitos Aedes, Culex e Anopheles), e a adaptação de agentes patogénicos a novas regiões. Estes fenómenos colocam desafios à segurança transfusional, exigindo medidas e estratégias de mitigação do risco em Portugal.

Descrição: As IE são aquelas recentemente identificadas ou que se expandiram para novas áreas geográficas, enquanto que as IR estavam sob controlo, mas voltaram a surgir. Muitas destas infeções estão associadas a vetores sensíveis às alterações climáticas e podem ser transmitidas por transfusão, especialmente durante fases assintomáticas nos dadores de sangue.

Resultados: As alterações climáticas têm contribuído para a disseminação de IE como Dengue, Chikungunya, Zika e Vírus Oeste do Nilo, e de IR tal como Malária e Doença de Chagas. Em Portugal, a mitigação do risco inclui triagem pré-dádiva baseada em critérios clínicos e epidemiológicos, incluindo historial de viagens e origem/residência em zonas endémicas e mapas de risco geográfico. O rastreio laboratorial da Malária e Doença de Chagas encontra-se implementado em dadores de risco, e a inativação patogénica de plasma e plaquetas constitui uma estratégia adicional para reduzir o risco de transmissão de infeções.

Discussão: O impacto das alterações climáticas na distribuição de vetores exige a adaptação contínua dos programas de rastreio da dádiva de sangue. A limitação de testes para alguns agentes emergentes reforça a importância da vigilância epidemiológica integrada com dados climáticos.

Conclusões: As alterações climáticas contribuem de forma relevante para o aumento das IE e IR com risco de transmissão sanguínea. A segurança transfusional em Portugal depende da atualização contínua dos protocolos de triagem e da implementação de estratégias preventivas eficazes, essenciais para a saúde pública.

 

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