ePO 66 – Entre as alterações climáticas à saúde: análise crítica das políticas e indicadores internacionais à luz da saúde planetária
Eduarda Marques da Costa1
1 Centro de Estudos Geográficos – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa
As alterações climáticas representam um dos principais desafios à Saúde Planetária, afetando de forma interligada os territórios, envolvendo os sistemas naturais e os territórios humanizados, impactando na saúde ambiental, animal e humana. Este trabalho enquadra-se nas atividades desenvolvidas no Projeto MOSAIC – Multi-site Application of Open Science in the Creation of Healthy Environments Involving Local Communities (Horizon Europe,2021-2027), projeto que tem como objetivo compreender os impactes das alterações climáticas nos domínios ambiental, animal e humano. A presente apresentação tem como objetivo principal identificar como as orientações e políticas propostas pelas organizações internacionais (como a ONU, OMS, FAO, entre outras), incorporam as perspetivas holísticas de Saúde Única e Saúde Planetária. Em associação à identificação das orientações e políticas existentes surge a identificação dos indicadores existentes e usados nos sistemas internacionais. A escolha dos instrumentos e dos indicadores é baseada no método Theory of Change, que sustenta a identificação de algumas cadeias de efeitos, identificando domínios core de interseção das alterações climáticas e dos seus impactes na saúde ambiental, animal e humana, como sejam eventos climáticos extremos, degradação ambiental, alterações no uso e cobertura do solo, segurança alimentar, doenças infeciosas e zoonóticas, e vulnerabilidades sociais. A análise revelou uma forte concentração de instrumentos orientados para o ambiente e o clima, contrastando com uma integração ainda limitada e fragmentada dos impactes na saúde. Relativamente aos indicadores, identificam-se lacunas na monitorização dos efeitos das alterações climáticas na saúde, bem como desafios de coerência entre escalas e setores. Os resultados reforçam a necessidade de operacionalização de respostas operacionais de Saúde Única e de Saúde Planetária.
