ePO 71 -Vulnerabilidade socioambiental e risco oncológico no ceará: um estudo descritivo de prospecção a partir de dados epidemiológicos e institucionais
José Gledson Costa Silva1, Joamira Pereira de Araújo2, Yannice Tatiane da Costa Silva1, Narcélio Pinheiro Victor1, Mônica Maria Siqueira Damasceno1
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, Campus Juazeiro do Norte – CE, 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – IFPB, campus João Pessoa
INTRODUÇÃO
A poluição ambiental é um determinante relevante no risco de câncer, sobretudo em contextos de elevada exposição a agentes como agrotóxicos e poluentes atmosféricos, associados à fragilidade do monitoramento ambiental. Este estudo teve como objetivo descrever a vulnerabilidade socioambiental e seu possível vínculo com o risco oncológico no estado do Ceará, a partir da análise de dados epidemiológicos e institucionais.
METÓDOS
Trata-se de um estudo descritivo de prospecção, baseado em dados secundários provenientes de boletins epidemiológicos da Secretaria Estadual de Saúde do Ceará (2024–2025) e documentos técnicos do Instituto Nacional de Câncer. Foram analisados níveis de material particulado fino (PM2,5), marcadores moleculares associados à carcinogênese e registros de câncer em populações potencialmente expostas.
RESULTADOS
Os resultados evidenciaram concentrações de PM2,5 superiores a 10 µg/m³ em municípios como Fortaleza e Juazeiro do Norte, ultrapassando o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (5 µg/m³). Observou-se crescimento na incidência de câncer de pulmão, fígado e neoplasias hematológicas em áreas com maior exposição ambiental, além de evidências institucionais que apontam ativação de vias pró-carcinogênicas associadas à exposição crônica a poluentes.
DISCUSSÃO
A ausência de vigilância ambiental estruturada contribui para o subdiagnóstico de cânceres relacionados a fatores ambientais, especialmente em territórios marcados por pobreza, desigualdade social, e acesso limitado aos serviços de saúde.
CONCLUSÃO
Conclui-se que o cenário demanda ações imediatas, com o fortalecimento da vigilância integrada em saúde, ambiente e trabalho, bem como a estruturação de uma linha de cuidado oncológico ambiental no Sistema Único de Saúde. Essas ações favorecem uma resposta integrada e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3 (Saúde e Bem-Estar), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima).
