ePO 73-Poluição, temperatura e covid-19: o que nos dizem os dados sobre a mortalidade

10 Abril 11:00 – 11:15
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Impacto Alterações Ambientais na Saúde Humana

João Simões1, Alexandra Bernardo1, Luísa Lima Gonçalves1, José Brito1

 

1 Egas Moniz School of Health and Science

Introdução: A relação entre poluição atmosférica, clima e mortalidade é central para a saúde pública, sobretudo num contexto de alterações climáticas e de disrupções globais como a pandemia de COVID-19. Em Portugal, a mortalidade apresenta um padrão sazonal marcado, com aumentos no inverno associados a temperaturas baixas e a níveis elevados de poluentes. Compreender estas interações é fundamental para apoiar políticas de prevenção eficazes.

Métodos: Analisaram-se dados mensais de mortalidade por causas naturais e por doenças do aparelho respiratório em Portugal (2010–2022), bem como concentrações de NO2, PM10, ozono (SOMO35) e temperatura. Aplicaram-se modelos SARIMAX para avaliar associações temporais com efeitos imediatos e desfasados. Compararam-se modelos com e sem inclusão da mortalidade por COVID-19, de modo a avaliar o impacto da pandemia na identificação dos efeitos ambientais.

Resultados e Discussão: Observou-se um padrão sazonal pronunciado, com mortalidade no inverno cerca de 19% superior à média anual. NO2 e PM10 apresentaram picos no inverno, enquanto o ozono foi mais elevado no verão. O NO2 mostrou efeitos imediatos na mortalidade, as PM10 efeitos diferidos de cerca de quatro meses e a temperatura um comportamento não linear, com riscos associados ao frio prolongado. A mortalidade respiratória respondeu de forma mais imediata às condições ambientais, incluindo à exposição ao ozono. A inclusão da mortalidade por COVID-19 perturbou os padrões sazonais e dificultou a deteção de efeitos ambientais mais subtis.

Conclusões: Os resultados reforçam a importância de considerar a sazonalidade e os efeitos cumulativos na avaliação do impacto ambiental na mortalidade. A comparação entre modelos com e sem COVID-19 evidencia a utilidade de distinguir choques epidémicos agudos de efeitos ambientais persistentes. São necessárias políticas de qualidade do ar mais rigorosas e estratégias de saúde pública adaptativas, com especial atenção a populações mais vulneráveis.

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