ePO 75 – Mudanças climáticas e a propagação do aedes albopictus: riscos para a saúde humana
Ana Sofia Silva1
1 ULS Tâmega e Sousa
Introdução: O mosquito Aedes albopictus (Aa) expandiu-se globalmente, devido ao movimento de pneus usados, adaptabilidade ecológica e a globalização. As mudanças climáticas podem expandir ainda mais sua distribuição geográfica, incluindo áreas com climas mais frios. Este estudo pretende analisar a relação entre as mudanças climáticas e a dispersão do Aa na região norte. Métodos:A vigilância entomológica do Aa é realizada semanalmente, utilizando 30 armadilhas georreferenciadas distribuídas em dois municípios, cobrindo uma área total de 52 km². As capturas são efetuadas por meio de armadilhas do tipo ovitrap e BG Sentinela, e todas as amostras são encaminhadas para o INSA para análise. Os resultados das colheitas são georreferenciados, e os dados quantitativos são analisados utilizando o software SPSS. Resultados: Em 2025, o Aa registou a maior expansão territorial na região norte de Portugal desde sua primeira identificação em 2017, aumentando de 18 km² em 2024 para 52 km². No total, foram identificados 978 exemplares do mosquito. Além disso, 2025 foi o 5º ano mais quente, com uma temperatura média anual de 16,47ºC, o que favoreceu a atividade do mosquito entre maio e outubro (Fig. 1).Discussão: Existe uma correlação entre a temperatura (média, mínima e máxima) e o número de mosquitos Aa identificados. Observa-se que os picos de temperatura máxima coincidem com aumentos no número de mosquitos, especialmente durante os meses mais quentes, em que as temperaturas elevadas favorecem a proliferação da espécie. Esses resultados indicam uma forte relação entre as variações sazonais de temperatura e a população de Aa. Conclusões: Os dados demonstram que o aumento das temperaturas, impulsionado pelas mudanças climáticas, favoreceu a expansão do Aa em Portugal, aumentando o risco de doenças transmitidas pelo mosquito. A crescente proliferação durante os meses mais quentes destaca a necessidade de estratégias de controle eficazes para mitigar os impactos à saúde pública.
