ePO 78 – Mudanças climáticas e racismo ambiental: desigualdades de exposição ao calor extremo no Brasil

10 Abril 11:05 – 11:10
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Impacto Alterações Ambientais na Saúde Humana

Jadyni Ester Matos e Silva1

 

1 Universidade Regional do Cariri – URCA

Introdução

As mudanças climáticas intensificam eventos extremos como ondas de calor, cada vez mais frequentes no Brasil. Segundo o Climate Central (2025), o Brasil registrou em fevereiro de 2025 aumento de temperatura de até 8°C acima do normal para a época do ano.

Esses eventos afetam de forma desigual a população. Comunidades, favelas e bairros periféricos, onde a maioria da população é preta e parda, sofrem mais com o calor, configurando uma dimensão do racismo ambiental, em que vulnerabilidades socioeconômicas amplificam impactos climáticos.

 

Métodos

O presente trabalho faz parte de uma investigação sobre as ondas de calor dos últimos dois anos (2024–2025) e início de 2026, ocorridas nas capitais Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Resultados/Discussão

Moradores de áreas historicamente negligenciadas, com menor acesso a recursos urbanos e áreas verdes, como favelas e periferias, apresentam maior vulnerabilidade aos impactos do calor extremo. As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo registraram entre 2025 e 2026 temperaturas de até 40°C nos centro urbanos enquanto nas favelas como Complexo do Alemão (RJ) e Paraisópolis (SP) a média foi de 47°C e 45°C, uma diferença de 7°C (G1, 2026). Telhas de zinco e amianto que armazenam o calor e transferem para dentro das casas, falta de arborização e pouco acesso a saneamento básico são as realidades dessas áreas.

Estudos apontam que a cada 1°C que aumenta na temperatura acontece o aumento de 18% de morbidade e 35% de chance de mortalidade, com sintomas como cãibras por calor, exaustão, insolação, irritabilidade e pouca capacidade de resfriamento do corpo.

 

Conclusões

As ondas de calor no Brasil representam um desafio crescente para a saúde pública e a justiça ambiental. O desafio não é apenas técnico, mas político. Incluir o calor como dimensão da inadequação habitacional é reconhecer que a exclusão urbana, onde a régua é a cor e o poder econômico, também se mede em graus Celsius.

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