ePO 80 – Cobertura vegetal ciliar em rio urbano e impacto na qualidade da água
Ana Clarice Rocha Araujo1, LYNDYANNE DIAS MARTINS2, Benaffe Santos Cardoso de Almeida1, Dra. Josiclêda Domiciano Galvíncio2, Dra. Yannice Tatiane da Costa Santos1
1 Instituto Federal do Ceará, 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
A degradação da mata ciliar em áreas urbanas compromete a qualidade dos corpos hídricos, especialmente em regiões semiáridas, onde os rios apresentam regime intermitente e elevada sensibilidade às pressões antrópicas. Este estudo avaliou a influência do tipo de mata ciliar — vegetação alta e vegetação baixa — na qualidade da água em trechos urbanos do Rio Salgadinho, no município do Crato (CE), considerando 4 pontos de monitoramento (P1, P2, P3 e P4).
A cobertura vegetal foi caracterizada por meio do NDVI, evidenciando maior predominância de vegetação alta durante o período chuvoso e redução significativa dessa classe no período seco, com predominância da vegetação baixa. Os resultados foram interpretados conforme os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005. A análise estatística demonstrou correlação positiva moderada entre NDVI relativo e oxigênio dissolvido (r = 0,4), indicando que áreas com vegetação mais estruturada favorecem melhores condições de oxigenação da água. Por outro lado, observou-se correlação negativa forte entre NDVI e nitrogênio amoniacal, sugerindo maior acúmulo desse composto em trechos com menor integridade da mata ciliar.
Os pontos urbanos denominados P2, P3 e P4, caracterizados por vegetação baixa e trechos canalizados, apresentaram maiores concentrações de nitrogênio amoniacal e coliformes termotolerantes, refletindo influência de esgoto doméstico e ocupação desordenada. Em contraste, o ponto P1, nascente do rio, com maior cobertura de vegetação alta, apresentou melhores condições ambientais, com maiores valores médios de OD e menores indicadores microbiológicos.
Os resultados reforçam que a perda da densidade foliar da vegetação ciliar arbórea compromete significativamente a qualidade da água, independentemente da sazonalidade, evidenciando a urgência de ações de restauração ecológica em áreas urbanas do Semiárido nordestino brasileiro.

