ePO 82 – Impactos psicológicos das alterações climáticas em estudantes portugueses: ecoansiedade e perceções ambientais

10 Abril 11:05 – 11:10
Monitor 1
Tipo: E-Poster
Tema: Impacto Alterações Ambientais na Saúde Humana

Tiago Neiva Mesquita1, Ralcilene Santiago da Frota2, helena Nogueira1

 

1 Departamento de Geografia e Turismo e Centro de Investigação em Antropologia e Saúde Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Portugal), 2 Departamento de Geografia e Turismo Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Portugal)

As alterações climáticas constituem um dos maiores desafios globais contemporâneos, com impactos ambientais, sociais e psicológicos significativos. Crianças e jovens revelam-se particularmente vulneráveis aos seus efeitos emocionais, devido à fase de desenvolvimento em que se encontram e à crescente exposição a informação sobre riscos ambientais. Este estudo analisou as perceções, experiências e respostas emocionais de estudantes do ensino básico em Portugal (Leiria e Coimbra) face às alterações climáticas, com enfoque nos impactos na saúde mental e nas estratégias utilizadas para lidar com sentimentos de ansiedade e preocupação.

A investigação baseou-se num inquérito aplicado a 245 alunos, abordando o nível de conhecimento sobre alterações climáticas, fontes de informação, experiências com fenómenos extremos e emoções associadas, como ansiedade, medo, raiva, culpa e perturbações do sono. Os resultados indicam uma elevada consciencialização sobre o tema, sendo a escola e os meios de comunicação social as principais fontes de informação. Fenómenos como incêndios florestais, secas e inundações são reconhecidos como riscos relevantes, próximos da realidade dos estudantes.

Verificou-se uma prevalência significativa de sentimentos de preocupação, ansiedade e medo, sugerindo a presença de ecoansiedade. Uma parte substancial dos participantes relatou experiências diretas com eventos extremos, associadas a impactos emocionais imediatos e persistentes, incluindo alterações de humor, preocupação constante e dificuldades de sono. Apesar disso, muitos jovens adotam respostas proativas, envolvendo-se em comportamentos ambientalmente responsáveis e estratégias de coping baseadas na ação individual.

O estudo sublinha a importância de integrar a saúde mental nas políticas de educação ambiental e adaptação climática, promovendo programas que combinem informação científica, competências emocionais e apoio psicológico, reforçando a resiliência dos jovens face aos desafios ambientais futuros.

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