ePO 84 – Influência da pandemia COVID-19 no REVIVE-Carraças
Paulo Parreira1, Ana Santos1, Rita de Sousa1, Andrea Santos1, Salomé Gomes1, Isabel Lopes de Carvalho1, Teresa Luz1, Hugo Osório1, Rui Gaspar1, Fátima Amaro1, Maria João Alves1, Sofia Núncio1
1 INSA- CEVDI
Em 2008 foi criada a rede de vigilância de Vectores (REVIVE), devido à necessidade de monitorizar a actividade de artrópodes vectores, introdução de espécies exóticas e determinar a presença de agentes infecciosos. Esta rede foi criada entre a DGS, o INSA e as Administrações Regionais de Saúde e Regiões Autónomas. O 1º protocolo iniciou-se em 2008 com a vigilância de mosquitos, e em 2011 a monitorização foi alargada às carraças.A rede resulta numa colaboração estreita entre todos os envolvidos, sendo coordenada pelo INSA, através do CEVDI (Águas de Moura), como o laboratório de referência para onde são encaminhadas as amostras colhidas no terreno pelas regiões de Saúde e é feita a identificação dos vectores e pesquisa de agentes infecciosos. O aparecimento da doença COVID-19 e a declaração de pandemia forçou as autoridades portuguesas a decretar o estado de emergência em 16 de março de 2020 e só em maio de 2023, a OMS determinou o final da pandemia.
Os relatórios REVIVE de 2018 e 2024 foram analisados, para comparar o número de carraças identificadas.
Em 2018, foram identificadas 4300 carraças e nos anos seguintes houve uma diminuição significativa para 1862 em 2019, 1606 em 2020 e 1623 em 2021. Em 2022 e 2023 verificou-se uma subida lenta (1810/ano) e em 2024 atingiu-se o pico de 4797 amostras.
Estes dados evidenciam uma quebra acentuada (mais de 50%) ocorrida nos anos 2019 a 2021. A recuperação iniciou-se em 2022 e 2023 e em 2024 foi atingido o pico de amostras identificadas, superando 2018.
Evidencia-se uma relação clara entre as limitações impostas durante a pandemia e o esforço de captura. Em 2018 o REVIVE identificou 4300 amostras e entre 2019 a 2021 a vigilância não foi feita da mesma forma, abrindo a possibilidade de introdução não detectada de espécies exóticas, com os riscos inerentes para a saúde pública.
Os números de 2024 demonstram a recuperação da vigilância feita pela rede entomológica, superando os números de 2018.
