ePO 85 – Hospitalização domiciliária na pessoa com doença renal crónica em hemodiálise: ganhos em saúde e sustentabilidade
Paulo Marques1, Elisabete Avelar1, Carla Lopes1, Rita Reis1
1 ULSLO – Serviço de Nefrologia – Unidade de Hemodiálise
Introdução:
A sustentabilidade dos sistemas de saúde é indissociável da gestão eficiente de recursos e da qualidade de vida. A Doença Renal Crónica (DRC), pela sua elevada prevalência e custos sociais, desafia a resiliência do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Neste cenário, a Hospitalização Domiciliária (HDOM) surge como uma alternativa segura e custo-eficaz ao internamento convencional, promovendo cuidados humanizados, centrados na pessoa e ambientalmente sustentáveis.
Descrição:
Revisão da literatura (PubMed e EBSCO), utilizando: chronic disease, chronic kidney disease, hospital at home, hemodialysis e sustaintability. Analisaram-se processos clínicos eletrónicos e realizaram-se entrevistas informais a pessoa com DRC em programa de HD, integrados simultaneamente em HDOM. A estratégia visa consolidar um modelo assistencial que privilegia a autonomia e a personalização dos cuidados em ambiente familiar, assumindo-se como um vetor essencial para ganhos em saúde e sustentabilidade institucional.
Resultados e Discussão:
A escassez de evidência robusta sobre a integração da HDOM na DRC reforça a pertinência desta análise. Os resultados demonstram ganhos: maior adesão terapêutica e satisfação das pessoas, sustentada pela segurança emocional do ambiente familiar. Do ponto de vista da gestão, o modelo otimiza a capacidade de internamento e reduz custos diretos. Logisticamente, a redução de deslocações diminui a pegada ecológica, alinhando a prática clínica com metas de sustentabilidade ambiental. A eficácia do modelo exige, contudo, uma articulação rigorosa entre a Nefrologia/HD e as equipas de HDOM.
Conclusão:
A HDOM constitui uma abordagem promissora na gestão da DRC, conciliando resultados clínicos com eficiência económica. A consolidação deste caminho requer protocolos específicos e uma comunicação fluida entre serviços. Esta estratégia potencia a segurança dos cuidados, posicionando as instituições na vanguarda da inovação e da sustentabilidade do sistema de saúde.
