ePO 87 – Remoção de manganês utilizando resíduo da pedra cariri: estudo cinético em batelada
Clara Beatryz Gomes Vieira1, Jorge Marcell Coelho Menezes2, Francisco José de Paula Filho2, Yannice Tatiane da Costa Santos3, Ronaldo Ferreira do Nascimento4
1 Universidade Regional do Cariri, 2 Universidade Federal de Cariri, 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, 4 Universidade Federal do Ceará
Introdução
A ocorrência de manganês em águas de abastecimento compromete a qualidade da água, e estudo recente indica que sua exposição, especialmente em fases precoces da vida, pode afetar negativamente o neurodesenvolvimento infantil (Su et al., 2025). Nesse contexto, resíduos minerais ricos em carbonato de cálcio, como o resíduo da Pedra Cariri (RPC), apresentam potencial para a remoção desse metal.
Métodos
Ensaios cinéticos em batelada foram realizados com solução sintética de manganês (0,907 mg·L⁻¹), pH ajustado para 7,7, acima do pHpzc do RPC (7,16) (Vieira et al., 2024) e abaixo do pH de início de precipitação do manganês (≈ 8,0) (Bao et al., 2025). Os experimentos ocorreram à temperatura ambiente, com agitação de 100 rpm, volume de 40 mL, massa de 0,40 g de RPC e tempos de contato entre 0,5 e 30 minutos. As concentrações residuais foram determinadas por Espectroscopia de Absorção Atômica de Chama (APHA et al., 2017).
Resultados
A evolução da eficiência de remoção e da capacidade adsortiva em função do tempo é apresentada na Figura 1. Os valores de variação de pH ao longo do tempo estão descritos na Figura 2.
Figura 1 – Remoção versus capacidade adsortiva versus tempo
Fonte: Autores (2025)
Figura 2 – pH versus tempo
Fonte: Autores (2025)
Discussão
O sistema apresentou remoção rápida nos tempos iniciais, seguida de aproximação ao equilíbrio, comportamento típico de ensaios cinéticos em batelada. O pH alcalino pode favorecer mecanismos de adsorção e/ou precipitação do manganês; porém, não é possível definir o mecanismo predominante.
CONCLUSÕES
O resíduo da Pedra Cariri demonstrou potencial para a remoção de manganês em meio aquoso, configurando-se como material alternativo de baixo custo e de origem mineral. Os resultados indicam que sua aplicabilidade como etapa complementar no tratamento de águas contaminados por manganês, contribuindo para a redução da exposição a um contaminante associado á neurotoxicidade.

