ePO 94 – Nova abordagem colaborativa baseada em design science e aplicada na uls santa maria para promover a sustentabilidade ambiental
Beatriz Martins1, Rui Infante1, Edgar Mascarenhas1, Dulce Correia2, João Miguel Ribeiro2, Susana Mendes Fernandes3, Mónica D. Oliveira1
1 CEGIST, Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, Portugal, 2 Serviço de Medicina Intensiva, ULS Santa Maria, Lisboa, Portugal, 3 Clínica Universitária de Medicina Intensiva, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
O setor da saúde enfrenta o desafio crescente de reduzir o seu impacto ambiental, que exige, para além de medidas top-down, o envolvimento ativo dos profissionais de saúde no desenho de iniciativas inovadoras adaptadas à prática clínica e com potencial para melhorar a sustentabilidade ambiental. A evidência mostra que as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) têm substancial impacto ambiental devido ao elevado consumo de recursos, produção de resíduos e exigências de segurança clínica.
Partindo da premissa que métodos inovadores podem potenciar a colaboração entre profissionais de saúde para melhorar a sustentabilidade ambiental, desenhou-se um novo processo colaborativo com base num Delphi modificado com Design Science Research e a técnica de ideação SCAMPER. Este processo foi implementado para envolver profissionais de saúde do Serviço de Medicina Intensiva da ULS Santa Maria na co-criação de novas iniciativas, através de entrevistas iniciais, duas rondas Delphi online e um workshop virtual.
Utilizando o protocolo de questionamento SCAMPER, 31 profissionais da ULS Santa Maria co-criaram, discutiram e refinaram 53 iniciativas organizadas em sete categorias temáticas: “Aquisição sustentável de materiais”, “Redução e reutilização de resíduos”, “Eficiência energética”, “Digitalização e redução do uso de papel”, “Uso eficiente da água”, “Práticas clínicas sustentáveis”, “Sensibilização e formação dos profissionais de saúde”. Do processo colaborativo, trinta e três iniciativas –co-criadas pelos profissionais reuniram elevada concordância e foram consensualizadas como prioritárias para análise futura (assim como outras seis iniciativas extra, identificadas da literatura, reuniram concordância).
Este estudo sugere que abordagens colaborativas bottom-up que envolvam os profissionais de saúde no desenho de iniciativas inovadoras para a sustentabilidade ambiental podem promover o desenvolvimento de novas medidas que considerem o contexto organizacional e clínico específico.
