ePO 96 – Transformação e inovação sustentável nos cuidados de saúde primários: barreiras e oportunidades
Marta Guimarães1, Ana Fonseca2, Winston Jerónimo Silvestre3
1 Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões; Universidade Fernando Pessoa, 2 RISE-Health, Universidade Fernando Pessoa, 3 DINÂMIA´CET, ISCTE-IUL
O setor da saúde enfrenta uma transformação progressiva dos seus modelos de funcionamento, impulsionada pela necessidade de integrar princípios de sustentabilidade ambiental, social e de governança. Neste contexto, os cuidados de saúde primários (CSP) assumem um papel estratégico, dada a sua proximidade às comunidades, o impacto sociocultural das suas práticas e o potencial para promover comportamentos sustentáveis entre profissionais e utentes.
Apesar da relevância crescente do tema, persiste uma lacuna de investigação empírica relativamente à integração sistemática de ferramentas de gestão sustentável nos CSP, particularmente no contexto português. O presente estudo tem como objetivo analisar as práticas de sustentabilidade existentes nas unidades de CSP, bem como a perceção dos profissionais de saúde relativamente às mesmas, identificando prioridades, obstáculos e oportunidades de melhoria.
Foi aplicado um questionário aos profissionais a exercer funções nas unidades de CSP da Unidade Local de Saúde Viseu Dão-Lafões, incidindo sobre práticas de sustentabilidade ambiental, perceções individuais e sugestões de intervenção. Complementarmente, realizaram-se entrevistas semiestruturadas a 12 coordenadores das unidades, com vista à compreensão das práticas de sustentabilidade ambiental, social e de governança implementadas.
A análise qualitativa revelou um elevado nível de sensibilização e valorização da sustentabilidade por parte dos profissionais, bem como o reconhecimento da sua importância na prática clínica. Foram identificadas diversas propostas de melhoria, evidenciando abertura à implementação de práticas mais sustentáveis.
Os resultados apontam para uma oportunidade estratégica de integração da sustentabilidade nos CSP, através de formação específica, apoio institucional e mudanças organizacionais, reforçando a necessidade de políticas de saúde que incorporem a sustentabilidade como eixo estruturante.
